Aborto – Ignorância e Silêncio

Por Guilherme Freire –

Certa vez eu estava conversando com um amigo procurador do Estado sobre o aborto, lá pelas tantas ele diz: no fundo o grande argumento que usam contra o bebê no útero é não enxergarmos ele. Pensando nessa frase comecei a meditar especialmente sobre a relação entre a nossa obliquidade no discurso e a falta de informações sobre o aborto.
Não é à toa que o documentário “O Grito Silencioso”, ao mostrar como é exatamente um aborto, tem um efeito tão grande nas pessoas. É quase impossível ver como um médico aborteiro faz para retirar a cabeça do bebê com uma espécie de pinça, os braços com um tubo de sucção, e não se sentir enojado e revoltado com um crime desses.
Da mesma forma no documentário “Blood Money” várias mulheres (hoje arrependidas) que lucraram com indústria do aborto falam da importância de esconder de outras mulheres os restos mortais de bebês, distorcer as imagens de ultrassom e qualquer dado sobre o desenvolvimento do intrauterino, para a eficácia do “business”. Elas sabem, na prática, aquilo que pesquisas mostram: pelo menos 78% das mulheres desistem do aborto ao acompanhar as imagens da criança no ultrassom.

O fato é que no momento da concepção a nova criança recebe os cromossomos dos pais e adquire seu código genético próprio. É criado um indivíduo. Sendo assim, a concepção marca o começo de uma nova vida humana. Esse pequeno organismo vivo vai ter suas células se multiplicando, escolhendo um lugar seguro no útero para esse processo. Em menos de um mês o coração começa a bater. Com quatro semanas, os olhos, os ouvidos e o sistema respiratório já estão em formação. E com nove semanas, o bebê já consegue mexer os dedos.

Sem ter este entendimento claro, existem aqueles que aceitam o aborto apenas em alguns casos ditos de exceção. Acontece que tomando ciência da natureza violenta do ato, é absurdo serem consideradas as tais das exceções. Um exemplo é o chamado caso de “risco de vida da mãe”. O fato é que simplesmente não existe um único caso de gravidez assistida de risco. Nem o caso da eclampsia, pois já sabemos como tratar dessa patologia nos dias de hoje.

O aborto em caso de estupro é também absurdo. A ideia de que um bebê deva morrer pelos crimes do pai é bizarra, lembra os tempos do barbarismo.

Por fim, bebês com anencefalia (desenvolvimento parcial do cérebro) vivem pouco, mas nesse pouco sorriem e abraçam seus pais. Ninguém deveria morrer por ser deficiente. Vejam as imagens da menina Vitória para um exemplo de bebê com anencefalia que não foi abortado.

Considerando esses dados, evidentemente ao tratarmos de aborto estamos falando de uma forma de matar aqueles com menos chance de se defender. Infelizmente, nem todas as pessoas que defendem o aborto o fazem por ignorância. Matar crianças deficientes era um sonho antigo da fundadora da maior organização de aborto dos EUA (Planned Parenthood) e da simpatizante da KKK, Margaret Sanger. A Planned Parenthood claramente prefere atuar em áreas com grandes populações de “afro-americanos”. Essa triste realidade foi uma das coisas que motivaram a sobrinha de Martin Luther King a apresentar o já citado documentário “Blood Money”.

Outro alvo preferencial são as mulheres. Com essa verdadeira tragédia que é o aborto, uma imensa quantidade de mulheres nunca terá a alegria de ver seus filhos crescendo. Outras tantas foram exploradas por clínicas de aborto (legais e ilegais) e centenas de milhares foram mortas ainda no útero, sem sequer a chance de nascer.
No caso das pessoas que estão em má condição financeira, temos que considerar a quantidade de pessoas que criaram dez, doze, até treze filhos com poucos recursos. Eu, particularmente, conheço dezenas de casos. Também temos que considerar que pessoas em má condição financeira podem recorrer a alternativas extremamente dignas e positivas como a adoção e a ajuda caridosa, que devem ser fomentadas. O assassinato nunca deve ser uma opção. Não obstante, por interesse ideológico e econômico, a indústria do aborto não quer que essas pessoas procurem alternativas positivas nem que se conscientizem do crime que podem vir a cometer.

Essa cultura propagandística de aborto tem a característica distinta de ser baseada na mentira e na ambiguidade. A discussão indireta e polida termina por ser fundamental para manter o clima de ignorância, tão caro à essa indústria. Tentam mudar o foco para discussões como: O que é personalidade jurídica? O que dá mais dinheiro e é mais útil? Todas essas são questões irrelevantes perto da dilaceração de um bebê.

Justamente por isso é fundamental conscientizar as pessoas da gravidade do ato. Tratar o aborto como uma questão de “direitos do cidadão” ou uma curiosidade bioética é reduzir erroneamente o problema até o ponto da deformação absoluta. Os antigos defensores da escravidão usavam desse tipo de artifício retórico.

Como disse nosso líder abolicionista, Joaquim Nabuco: “Enquanto existe, a escravidão tem em si todas as barbaridades possíveis. Ela só pode ser administrada com brandura relativa quando os escravos obedecem cegamente e sujeitam-se a tudo; a menor reflexão destes, porém, desperta em toda a sua ferocidade o monstro adormecido.”

Sejamos claros e tratemos dos fatos, só assim não terminaremos por regredir à era selvagem, na qual a vida humana não tinha valor e o aborto (juntamente com o sacrifício humano e o infanticídio) era prática comum.

Guilherme Freire é estudante de direito e membro do Juventude Pela Vida

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