O perigo do silêncio entre os universitários pró-vida

Por Gabriel Schühli – Se nós sairmos às ruas e perguntarmos às pessoas o que pensam sobre o aborto, veremos que a grande maioria dirá que é contra. Em uma pesquisa feita no Brasil em julho de 2010 pelo Vox Populi, 82% dos entrevistados manifestavam estar de acordo com essa opinião. Porém, não é em todos os lugares que vemos tal posição sendo manifestada de forma aberta. Quem frequenta os meios universitários tem a ideia de que essa proporção, aparentemente, não é a mesma. Nesse ambiente, muito se ouve falar sobre a liberdade da mulher, liberdade sexual, liberdade de escolha, responsabilidade social, preocupação com superpopulação relacionada à utilização demasiada de recursos naturais, entre outros temas, que acabam por legitimar, direta ou indiretamente, a prática do aborto. Não tenho dados sobre a parcela de estudantes universitários que é a favor da vida desde a concepção, mas qualquer um sabe que o tema que ali prevalece é, sem dúvida, o da legalização do aborto.

Dentro desse meio universitário, muito se divulga sobre as necessidades de interromper uma gravidez, mas pouco se ouve falar sobre os problemas psicológicos que isso traz à mãe, sobre a liberdade do bebê e o direito a vida. Não é difícil perceber que isso se dá basicamente pelo fato que os pró-escolha são maciçamente mais ativos que os pró-vida. Esses últimos podem até ter uma importância numérica, mas o que mais espanta é a sua irrelevância no campo da opinião.

Isso se dá porque, muitas vezes, os que são contra o aborto evitam se manifestar para não ir contra a ideologia predominante. Sabem que, ao fazerem isso, podem gerar atrito com outros estudantes, correm o risco de serem vistos como caretas e retrógrados pelos seus colegas, sem contar que correm o risco de sofrer o incômodo moral causado pela militância oposta. Ir contra a opinião majoritária é algo que nos tira da zona de conforto e ainda pode acarretar prejuízos às nossas relações sociais.

Contudo, se analisarmos a fundo essa questão e levarmos em conta apenas o quanto isso nos afeta, não seremos nada a mais do que pessoas egoístas. Agindo dessa forma, nos mostramos apenas preocupados com a nossa própria imagem. Se nos manifestássemos com mais frequência, se não tivéssemos medo de expor nesses meios a verdade de que o aborto nada mais é que um assassinato, poderíamos estar propagando a cultura da vida e, consequentemente evitando que bebês sejam mortos. Sem saber, poderíamos estar dando um apoio indireto a uma garota que sofre pressões do seu namorado para abortar, haveria a possibilidade de estar influenciado pessoas a não cometerem tal ato quando se depararem com uma gravidez ou, até mesmo, ajudando a incentivar aqueles que podem entrar na luta pró-vida.

Nós sabemos que muitos indivíduos se deixam levar pela opinião da maioria. Quando assistem na TV que não se pode privar alguém de interromper a sua gestação, quando ouvem palestras na faculdade falando sobre a liberdade de escolha da mãe, quando leem uma notícia mostrando que um traficante nada mais era que um filho indesejável de uma mãe que não tinha condições de criá-lo, essas pessoas se sentem coagidas a não se posicionarem contra o aborto, quando não, a serem favoráveis a essa prática.

Diante disso, é imprescindível que não nos calemos e deixemos apenas as vozes contrárias ecoarem. Temos que tomar uma posição, tentar mostrar que elas estão erradas e que suas opiniões, em relação a esse tema, são nocivas. Obviamente que não precisamos perder a amizade daqueles que estimamos. Porém, se isso vir a acontecer é porque essa relação não era tão forte, pois se nem ao menos podíamos discordar de tal “amigo”, é porque não tínhamos um vínculo verdadeiro com ele.

Sabemos que é desconfortável entrar em oposição à opinião hegemônica, mas, não paramos para pensar que muito mais desconfortável é para um bebê ser morto no ventre de sua mãe. Frente ao silêncio, a cultura da morte vai se propagando e, enquanto isso, sobre o pedestal de nosso comodismo, nós vamos apenas assistindo tal tragédia acontecer. Nós precisamos entender que ser pró-vida não é apenas uma questão de uma ter uma opinião, mas é uma necessidade de ação em prol da vida.

 

Gabriel Schühli é Economista e membro do Juventude Pela Vida

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